Duncan Campbell
Por Wesley L. Duewel.
Meu caro amigo, o Rev. Duncan Campbell, ministro da United Free
Church da Escócia, foi poderosamente usado no reavivamento
das Ilhas Hébridas que começou em dezembro de
1949 e continuou em várias ondas nos anos sucessivos.
Talvez nenhum ministro deste século tenha experimentado
tantas manifestações notáveis do poder
do Senhor. Ele não fazia parte do movimento carismático
e não dava ênfase às manifestações
de dons. Até o dia de sua morte em 1972, Duncan permaneceu
um humilde profeta de Deus.
Em abril de 1918, sangrando profusamente em virtude de ferimentos
quase fatais em uma das últimas cargas de cavalaria da
Primeira Guerra Mundial, Duncan Campbell foi atirado sobre um
cavalo para evacuação e tratamento. Ele fez a
famosa oração de McCheyne: "Senhor, torna-me
tão santo quanto um pecador salvo pode ser". Instantaneamente
sentiu o grande poder de Deus, como um fogo purificador, varrendo
todo o seu ser. A presença e o poder de Deus eram tão
reais que ele julgou estar indo para o céu.
Enquanto permanecia deitado numa padiola entre os feridos na
Seção de Emergência, citou, no idioma gaélico
das regiões montanhosas da Escócia, a versão
métrica do Salmo 103, tão amado pelos escoceses.
Dentro de minutos a poderosa convicção do Espírito
Santo caiu sobre os outros feridos, e sete canadenses nasceram
de novo no mesmo instante. A seguir, um a um começou
a testemunhar. Duncan havia descoberto o segredo do poder sobrenatural
do Espírito Santo. A partir de então e até
a sua morte, teve um desejo consumidor de Deus, do Seu reavivamento
e da manifestação do Seu poder.
Quando a guerra terminou e sua recuperação foi
completada, viajou pelos distritos rurais de Argyllshire, visitando
de casa em casa, lendo as Escrituras, testemunhando e orando
com as pessoas. Em breve se juntou a Faith Mission Training
Home em Edimburgo para um curso intensivo de nove meses. Em
suas tarefas práticas, começou a ganhar pessoas
para Cristo. Certo dia, antes do início da aula, Duncan
levantou-se e testemunhou que Jesus era o seu melhor amigo.
O poder de Deus desceu sobre a classe, os estudantes caíram
de joelhos, os estudos foram esquecidos, e eles oraram durante
horas. Este foi o primeiro indício dos planos de Deus
para usar Campbell poderosamente num reavivamento real.
Depois da formatura, Campbell, com uma equipe da Faith Mission,
começou a pregar em prédios de escolas rurais
e igrejas. Deus derramou o Seu Espírito em poder. Uma
professora foi tão tocada por Deus enquanto andava de
bicicleta que teve de ajoelhar-se ao lado da estrada ao receber
salvação. Cerca de 200 pessoas começaram
a freqüentar os cultos. Velhos e jovens eram profundamente
convencidos do pecado e se voltavam para Cristo.
Ele teve de enfrentar muita oposição ao começar
seu ministério na Ilha de Skye. Duncan andava pelas estradas
à noite, orando pela ajuda de Deus. Três jovens
mulheres receberam um grande fardo de oração e
oraram a noite inteira em sua casa, enquanto Duncan fazia o
mesmo num curral. Na noite seguinte, o poder de Deus caiu sobre
as reuniões. As pessoas ficavam de tal forma dominadas
pela convicção do Espírito Santo que gemiam
pedindo misericórdia. A freqüência aumentou
e o poder de Deus foi sentido em toda a comunidade. Famílias
inteiras foram convertidas.
Duncan viajou de cidade em cidade, pregando onde podia e orando
com as pessoas ao lado da estrada, nas encostas, nas casas,
ou onde quer que as encontrasse. Os novos convertidos começaram
a orar pelos parentes não-salvos e muitos se converteram.
Um deles, voltando da Austrália, foi convertido antes
de chegar à Escócia.
Algumas vezes as pessoas eram tiradas de casa pelo imenso poder
do Espírito e iam aos lugares onde alguns da congregação
se achavam reunidos — até mesmo do lado de fora
da delegacia policial. Deus estava tão presente que as
pessoas caíam de joelhos e começavam a orar. Às
vezes, durante os cultos, as pessoas eram obrigadas a curvar-se
diante da presença majestosa de Deus, mediante o poder
do Espírito. Os cristãos gemiam e os pecadores
gritavam por misericórdia.
Durante o despertamento em Barvas, o poder de Deus trabalhou
de tal modo através da comunidade que a maior parte do
trabalho secular foi abandonado, e as pessoas buscavam a Deus
o dia inteiro em suas casas, nos estábulos, nas cabanas,
à margem da estrada e nos campos. Era costume de Duncan
ficar num lugar enquanto as pessoas continuassem a se achegar
ao Senhor e depois ir para outra comunidade.
Durante o reavivamento em Lewis, a ilha que fica mais ao norte
das Hébridas, parecia que toda a ilha se achava repleta
de Deus. Os visitantes eram tocados pelo Espírito antes
de colocarem os pés na ilha. Um homem disse a um ministro
local que não assistira a nenhum culto, mas não
conseguia ficar longe do Espírito Santo. Um jovem motorista
de ônibus parou o carro e pediu aos passageiros que se
arrependessem.
Às vezes o poder de Deus caía sobre as pessoas,
a ponto de elas chorarem tanto que Campbell tinha de parar de
pregar. Ninguém podia ouvi-lo. As pessoas começavam
a chorar enquanto estavam sozinhas. Algumas ficavam prostradas
pelo poder de Deus, enquanto se achavam a sós nos campos
ou em seus teares. Outras andavam pelos campos à noite,
impossibilitadas de dormir em vista de tamanha convicção
de pecado.
Um grupo de cristãos se reuniu certa noite para orar
pelos que ainda não haviam sido salvos e continuavam
aparentemente intocáveis por Deus. Cerca da meia-noite,
Duncan voltou-se para o ferreiro local e pediu que ele orasse.
A casa toda começou, de repente, a tremer, como se sacudida
por um terremoto. Os pratos balançavam, e "onda
após onda do poder divino varreu o prédio".
(1) O Rev. Campbell pronunciou a bênção
imediatamente. Enquanto deixava o prédio, a comunidade
inteira parecia ter revivido com uma percepção
grandiosa da presença de Deus. Noite após noite,
as pessoas encontraram Deus em suas casas.
Em um culto, "com a força de um furacão,
o Espírito de Deus varreu o prédio" (um evento
quase idêntico aconteceu no ministério de Andrew
Murray na África do Sul). Instantaneamente muitos ficaram
prostrados diante de Deus, enquanto outros choravam ou suspiravam.
O efeito se espalhou através de toda a ilha, e pessoas
até então indiferentes foram conquistadas pelo
Espírito Santo. (2)
Enquanto Duncan Campbell estava em meio a uma convenção
na Irlanda do Norte, o Espírito Santo subitamente impressionou-o
com o nome da pequena ilha de Berneray, perto da costa de Harris.
Isto se repetiu três vezes nos minutos seguintes. Duncan
me contou que ele jamais estivera na ilha, nunca se correspondera
com ninguém dali, nem conhecia pessoa alguma naquela
ilha. Ele imediatamente abandonou o culto (para consternação
do coordenador da convenção), pegou suas coisas
no hotel e seguiu imediatamente para o aeroporto.
Quando chegou a Berneray, descobriu que um presbítero
local orara a noite inteira por um reavivamento e que Deus lhe
dissera que enviaria Duncan Campbell e operaria através
dele. O presbítero estava tão convencido da obra
de Deus que já espalhara a notícia através
da ilha e anunciara um culto para algumas horas depois da chegada
de Duncan.
Na terceira ou quarta noite, enquanto as pessoas estavam saindo
da igreja, o Espírito Santo repentinamente caiu sobre
elas quando chegavam ao portão. Ninguém pôde
mover-se — eles foram poderosamente detidos pelo poder
do Espírito e por um tremendo senso da presença
de Deus. Duncan os chamou de volta ao prédio e começou
um poderoso movimento de Deus. Em toda a ilha vidas foram sacudidas
e transformadas. Vinte anos mais tarde, Campbell soube que os
convertidos naquele reavivamento ainda andavam com o Senhor.
Em seus últimos anos, assim como Finney, Duncan dirigiu
uma pequena faculdade bíblica. Os estudantes às
vezes tremiam quando ele abria a Palavra de Deus. "Havia
algo de sagrado na maneira como ele usava o nome de Deus e muitas
vezes o hálito do céu enchia a sala quando, com
reverência e ternura, ele dizia simplesmente 'Jesus'.
Sentíamos que estávamos pisando em solo santo."
(3)
Em março de 1960, numa reunião de oração
na escola, Deus veio subitamente em poder e "fez em segundos
o que outros haviam tentado fazer em meses". (4) O poder
de Deus estava tão presente que muitos choraram em silêncio.
Uma jovem mulher relatou: "Parecia que se levantasse a
cabeça eu veria Deus". Onda após onda do
poder de Deus passou através do recinto. De repente,
todos ali ouviram música celestial vinda dos céus.
Em pelo menos duas outras ocasiões, ao que sabemos, pessoas
presentes com Duncan ouviram subitamente cânticos similares
dos coros celestes. Certa vez, cerca das duas da manhã,
os membros de uma congregação saíram e
andaram juntos pelos campos até outra igreja para onde
o Espírito havia dirigido outros e caído repentinamente
sobre eles. Enquanto andavam noite a dentro, ouviram de súbito
os coros cantando nos céus, e os 200 caíram de
joelhos. A experiência foi predominantemente sagrada.
Embora Duncan apreciasse todas as manifestações
de Deus e do céu, ele não tinha inclinação
carismática. Continuava sendo um clérigo escocês
presbiteriano. Duncan não encorajava as pessoas a buscarem
manifestações espetaculares. Ele não queria
que concentrassem a sua atenção nas emoções,
deixando de lado a majestade de Deus. Ele ficara poderosamente
cheio do Espírito Santo e vivia na plenitude do Espírito.
Mas cria que a coisa mais importante sobre quem quer que fosse
era a influência silenciosa da sua personalidade repleta
da plenitude de Deus.
Certo dia em Lisburn, na Irlanda do Norte, o presidente da convenção
onde Duncan estava falando se encontrava sozinho na sala de
refeições quando sentiu de repente "o brilho
da presença do Senhor", transformando toda a atmosfera.
Ele se sentiu tão indigno de participar dessa poderosa
manifestação da presença de Deus que saiu
para o jardim, onde ficou chorando silenciosamente. Duncan então
apareceu com o rosto resplandecente, falando de uma promessa
que o Senhor acabara de lhe fazer sobre bênçãos
a serem derramadas.
O dia inteiro a presença de Deus pairou nas cercanias.
No culto da noite, depois da mensagem final e da bênção,
a organista foi tão dominada pela presença de
Deus que seus dedos não conseguiram mover as teclas e
tocar o poslúdio. O poder de Deus dominou de tal modo
a congregação que todos ficaram quietos e durante
meia hora ninguém se moveu. Depois, alguns começaram
a orar e chorar. Quatro pessoas testemunharam mais tarde ter
ouvido sons indescritíveis dos céus.
Sentar perto de Duncan Campbell e ouvi-lo contar humildemente
algumas de suas experiências com as obras sobrenaturais
de Deus — chegando a apontar o lugar onde estávamos
enquanto contava o que Deus fizera justamente ali — ou
ouvi-lo recapitular para um grupo de ministros, a meu pedido,
alguns desses tremendos episódios da presença
e poder de Deus, era ter o coração renovado e
perceber que aprendemos apenas o ABC de tudo o que Deus
quer fazer por nós.