Richard Baxter
Baxter nasceu em Rowtan, na Inglaterra, no dia 12 de novembro
de 1615. Apesar de seu pai não ter tido recursos para
mandar Richard estudar em uma universidade, Baxter esforço-se
ao máximo a fim de obter conhecimento de diversas áreas,
bem como um caráter baseado em princípios morais
e piedosos. A leitura da Bíblia era um fato constante
e diário em sua vida e apesar não ter um dos melhores
exemplos em casa no que diz respeito a normas de conduta, parece
que o Espírito Santo de Deus guiou este jovem em seu
crescimento a fim de ele enfrentasse a adolescência e
juventude de forma santa e piedosa.
Profundamente desejoso de ser útil às almas que
pereciam por falta de conhecimento, Baxter foi ordenado pastor
com apenas vinte e um anos de idade. E Dudley foi seu primeiro
campo ministerial. Ali ensinou em uma escola e pregou o Evangelho
por nove meses. Ali também teve contato com os não-conformistas,
passando a aprofundar suas leituras sobre o assunto, o que o
levou a questionar a sensatez da sua ordenação
com tão pouca idade, e sem que tivesse amadurecido sua
posição quanto aos votos que subscrevera.
Depois deste pequeno período em Dudney, Baxter foi removido
para Bridgenorth, onde se tornou assistente de um idoso ministro.
Três frases podem resumir seu ministério em Bidgenorth:
fervor pela obra, compaixão pelos pecadores perdidos,
convicção de que sua suficiência vinha do
Senhor.
Em 1640, Baxter iniciou seu ministério em Kidderminster,
um dos períodos mais importantes da sua vida. O seu ministério
ali registrou definitivamente o seu nome e o nome da cidade
na História da Igreja e do seu país. A transformação
moral que a cidade experimentou foi de tal envergadura que alguns
chegam a afirmar que nunca houve nada similar na Grã
Bretanha. Um de seus biógrafos diz que Kidderminster
"parece ter sido uma cidade escolhida por Deus para uma
experiência espiritual extremamente bem sucedida, pela
intervenção divina". Quando chegou à
cidade, o lugar caracterizava-se pela impiedade, espantosa aridez
espiritual e, conseqüentemente, baixíssimo nível
moral. Quando saiu da cidade, a excelência da piedade
e moral da grande maioria de seus habitantes eram espantosos.
O templo teve que ser aumentado; mas mesmo assim não
comportava as pessoas que queriam ouvir suas pregações.
Pessoas eram vistas nas ruas, em grupos, a caminho ou retornando
da igreja, cantando hinos de louvor a Deus com júbilo
sincero em seus corações.
O ministério extraordinariamente frutífero de
Baxter em Kidderminster foi interrompido logo no seu segundo
ano. Quando o país estava dividido entre o rei e o Parlamento,
Baxter passou a ser perseguido por razões políticas,
pelos partidários do rei, ele foi obrigado, juntamente
com muitos outros ministros, a refugiar-se por dois anos em
Coventry, um refúgio dos partidários do Parlamento.
Depois disso, a situação política do país
tornou-se favorável, e ele foi designado capelão,
função que exerceu com empenho, até que
foi obrigado a abandoná-la, seriamente enfermo. Quando
se recuperou, retornou para Kidderminster, onde continuou por
mais quatorze anos seu extraordinário ministério,
em meio a constantes perseguições e enfermidades
- as quais o acompanhariam quase que por toda a sua vida. Não
há muitos homens que compreenderam tão bem e experimentaram
tanto o que Paulo escreveu em 2 Coríntios 12:9,10: "De
boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que
sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas
fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições,
nas angústias por amor de Cristo. Porque quando sou fraco,
então é que sou forte".
Depois que Baxter foi obrigado a abandonar definitivamente
Kidderminster, passou dois anos em Londres, quando teve oportunidade
de pregar diante do Parlamento em abril de 1660. Foi então
designado capelão do rei, e muito se empenhou por uma
causa perdida: a busca da compreensão mútua entre
a Igreja da Inglaterra e os Não-conformistas. A partir
de então, até a sua morte, sua vida foi repleta
de acontecimentos. Vivendo em uma época politicamente
bastante conturbada, e sendo ele homem de princípios
e célebre pregador e escritor, sofreu contínuas
perseguições, acusações e prisões.
Isto tudo, porém, aliado às muitas e constantes
enfermidades, não o deixaram de modo algum inativo. Boa
parte de seus livros foram escritos neste período, em
meio a muitas dores e aflições.
As últimas horas de Baxter foram calmas e tranqüilas,
como o por do sol. Quando perguntado com se sentia às
portas da eternidade, ele respondeu: "Quase bem."
Ele sentia que dentro em breve estaria plenamente bem. Na manhã
do dia 8 de dezembro de 1691, com setenta e seis anos de idade,
Baxter entrou tranqüila e abundantemente na glória.
Muitas pessoas piedosas, das mais extremas posições,
fizeram-se presentes no seu sepultamento. Ministros conformistas
e não-conformistas uniram-se, pelo menos para se despedir
de um gigante espiritual que partia, deixando admiração,
respeito, e bela carta de recomendação escrita
nas páginas dos seus muitos e admiráveis escritos,
e nos corações de centenas - quem sabe milhares
- que foram convertidos e edificados pelo Espírito Santo
através do seu ministério.
Dimitri Juliano