| Charles
FInney
Perto da aldeia de New
York Mills, no século dezenove, havia uma fábrica
de tecidos movida pela força das águas do rio Oriskany.
Certa manhã, os operários se achavam comovidos,
conversando sobre o poderoso culto da noite anterior, no
prédio da escola pública.
Não muito depois de começar o ruído das máquinas,
o pregador, um rapaz alto e atlético, entrou na fábrica.
O poder do Espírito Santo ainda permanecia sobre ele;
os operários, ao vê-lo, sentiram a culpa de
seus pecados a ponto de terem de se esforçar para poderem
continuar a trabalhar. Ao passar perto de duas moças
que trabalhavam juntas, uma delas, no ato de emendar um fio,
foi tomada de tão forte convicção, que caiu
em terra, chorando. Segundos depois, quase todos em redor tinham
lágrimas nos olhos e, em poucos minutos, o avivamento encheu
todas as dependências da fábrica.
O diretor, vendo que os operários não podiam trabalhar,
achou que seria melhor cuidassem da salvação da
al-ma, e mandou que parassem as máquinas. A comporta
das águas foi fechada e os operários se ajuntaram
em um salão do edifício. O Espírito Santo
operou com grande poder e dentro de poucos dias quase todos se
converteram.
Diz-se acerca deste pregador, que se chamava Carlos Finney, que,
depois de ele pregar em Governeur, no Estado de New York, não
houve baile nem representação de teatro na cidade
durante seis anos. Calcula-se que, durante os anos de 1857 e 1858,
mais de 100 mil pessoas foram ganhas para Cristo pela obra direta
e indireta de Finney. A sua autobiografia é o mais
maravilhoso relato de manifestação do Espírito
Santo, excetuando o livro de Atos dos Apóstolos. Alguns
consideram o seu livro, "Teologia Sistemática",
a maior obra sobre teologia, a não ser as Sagradas Escrituras.
- Como se explica o seu êxito tão destacado nos anais
dos servos da Igreja de Cristo? - Sem dúvida era, antes
de tudo, o resultado da sua profunda conversão.
Nasceu de uma família descrente e se criou em um lugar
onde os membros da igreja conheciam, apenas, a formalidade
fria dos cultos. Finney era advogado; ao encontrar, nos seus
livros de jurisprudência, muitas citações
da Bíblia comprou um exemplar com a intenção
de conhecer as Escrituras. O resultado foi que, após a
leitura, achou mais e mais interesse nos cultos dos crentes. Acerca
da sua conversão ele relata, na sua autobiografia, o seguinte:
"Ao ler a Bíblia, ao assistir às reuniões
de oração, e ouvir os sermões de senhor
Gale, percebi que não me achava pronto a entrar nos céus...
Fiquei impressionado especialmente com o fato de as orações
dos crentes, semana após semana, não serem respondidas.
Li na Bíblia: 'Pedi e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis;
batei, e abrir-se-vos-á'. Li, também, que Deus é
mais pronto a dar o Espírito Santo aos que lho pedirem,
do que os pais terrestres a darem boas coisas aos filhos. Ouvia
os crentes pedirem um derramamento do Espírito Santo
e confessarem, depois, que não o receberam.
"Exortavam uns aos outros a se despertarem para pedir,
em oração, um derramamento do Espírito de
Deus e afirmavam que assim haveria um avivamento com a conversão
de pecadores... Mas ao ler mais a Bíblia, vi que as orações
dos crentes não eram respondidas porque não tinham
fé, isto é, não esperavam que Deus lhes daria
o que pediam... Entretanto, com isso senti um alívio acerca
da veracidade do Evangelho... e fiquei convicto de que a Bíblia,
apesar de tudo, é a verdadeira Palavra de Deus.
"Foi num domingo de 1821 que assentei no coração
resolver o problema sobre a salvação da minha
alma e ter paz com Deus. Apesar das minhas grandes preocupações
como advogado, resolvi seguir rigorosamente a determinação
de ser salvo. Pela providência de Deus, não me achei
muito ocupado nem segunda nem terça-feira, e consegui passar
a maior parte do tempo lendo a Bíblia e orando.
"Mas ao encarar a situação resolutamente, achei-me
sem coragem para orar sem tapar o buraco da fechadura. Antes deixava
a Bíblia aberta na mesa com os outros livros e não
me envergonhava de lê-la diante do próximo. Mas então,
se entrasse alguém, eu colocaria um livro aberto sobre
a Bíblia para escondê-la.
"Durante a segunda e a terça-feira, a minha convicção
aumentou, mas parecia que o coração se havia endurecido:
eu não podia chorar, nem orar... Terça-feira, à
noite, senti-me muito nervoso e parecia-me estar perto da morte.
Reconhecia que, se eu morresse, por certo iria para o Inferno.
"De manhã cedo, fui para o gabinete... Parecia que
uma voz me perguntava: - 'Por que esperas? Não prometes-te
dar o coração a Deus? O que experimentas fazer?
- alcançar a justificação pelas obras?'
Foi então que vi, claramente, como qualquer vez depois,
a realidade e a plenitude da propiciação de
Cristo. Vi que sua obra era completa e, em vez de eu necessitar
duma justiça própria para Deus me aceitar, tinha
de sujeitar-me à justiça de Deus por intermédio
de Cristo... Sem o saber, fiquei imóvel, não sei
por quanto tempo, no meio da rua, no lugar onde a voz de dentro
se dirigiu a mim. Então me veio a pergunta: - 'Aceitá-lo-ás,
agora, hoje?' Repliquei: - 'Aceita-lo-ei hoje ou me esforçarei
para isso até morrer...' Em vez de ir ao gabinete,
voltei para entrar na floresta, onde podia derramar a alma sem
alguém me ver nem me ouvir."Porém, o meu orgulho
continuava a se manifestar; passei por cima dum alto e andei furtivamente
atrás duma cerca, para que ninguém me visse, e pensasse
que ia orar. Penetrei dentro da mata cerca de meio quilômetro,
onde achei um lugar mais escondido entre algumas árvores
caídas. Ao entrar, disse a mim mesmo: 'Entregarei
o coração a Deus, ou então não sairei
daqui'.
"Mas ao tentar orar, o coração não queria.
Pensara que, uma vez sozinho, onde ninguém pudesse ouvir-me,
podia orar livremente. Porém, ao experimentar fazê-lo,
achei-me sem coisa alguma a dizer a Delis. Toda a vez que tentava
orar, parecia-me ouvir alguém chegando.
"Por fim, achei-me quase em desespero. O coração
estava morto para com Deus e não queria orar. Então
reprovei-me a mim mesmo por ter-me comprometido a entregar
o coração a Deus antes de sair da mata. Comecei
a pensar que Deus já me tivesse abandonado... Achei-me
tomado de uma fraqueza demasiadamente grande para ficar de joelhos.
"Foi justamente nessa altura que pensei novamente que ouvia
alguém se aproximando e abri os olhos para ver. Logo foi-me
revelado que o orgulho do meu coração era a barreira
entre mim e a minha salvação. Fui vencido pela convicção
do grande pecado de eu envergonhar-me se alguém me
encontrasse de joelhos perante Deus, e bradei em alta voz que
não abandonaria o lugar, nem que todos os homens da
terra e todos os demônios do Inferno me cercassem.
Gritei: 'Ora, um vil pecador como eu, de joelhos perante
o grande e santo Deus, e confessando-lhes os pecados, e me
envergonho dele perante o próximo, pecador também,
porque me encontro de joelhos para achar paz com o meu Deus ofendido!'
O pecado parecia-me horrendo, infinito. Fiquei quebrantado
até o pó perante o Senhor. Nessa altura, a seguinte
passagem me iluminou: 'Então me invocareis, e ireis, e
orareis a mim, e eu vos ouvirei. E buscar-me-eis, e me achareis,
quando me buscardes de todo o vosso coração...'
"Continuei a orar e a receber promessas e a apropriar-me
delas, não sei por quanto tempo. Orei até que sem
saber como, achei-me voltando para a estrada. Lembro-mede
que disse a mim mesmo: 'Se eu me converter, pregarei o Evangelho'.
"Na estrada, voltando para a aldeia, certifiquei-me da preciosa
paz e da gloriosa calma na minha mente. - 'Que é isso?'
Perguntei-me a mim mesmo. - 'Entristecera eu o Espírito
Santo até retirar-se de mim? Não sinto mais convicção...'
Então lembrei-me de que dissera a Deus, que confiaria na
sua Palavra... A calma de meu espírito era indescritível...
Fui almoçar, mas não tinha vontade de comer.
Fui ao gabinete, mas meu sócio não voltara do almoço.
Comecei a tocar a música de um hino no rebecão,
como de costume. Porém, ao começar a cantar as palavras
sagradas, o coração parecia derreter-se e só
podia chorar...
"Ao entrar e fechar a porta atrás de mim, parecia-me
ter encontrado o Senhor Jesus Cristo face a face. Não me
entrou na mente, na ocasião, nem por algum tempo depois,
que era apenas uma concepção mental. Ao contrário,
parecia-me que eu o encontrara como encontro qualquer pessoa.
Ele não disse coisa alguma, mas olhou para mim de tal forma,
que fiquei quebrantado e prostrado aos seus pés. Isso,
para mim, foi, depois, uma experiência extraordinária,
porque parecia-me uma realidade, como se Ele mesmo ficasse em
pé perante mim, e eu me prostrasse aos seus pés
e lhe derramasse a minha alma. Chorei alto e fiz tanta confissão
quanto foi possível, entre soluços. Parecia-me que
lavava os seus pés com as minhas lágrimas; contudo,
sem sentir ter tocado na sua pessoa...
"Ao virar-me para me sentar, recebi o poderoso batismo
com o Espírito Santo. Sem o esperar, sem mesmo saber que
havia tal para mim, o Espírito Santo desceu de tal maneira,
que parecia encher-me corpo e alma. Senti-o como uma onda elétrica
que me traspassava repetidamente. De fato, parecia-me como ondas
de amor liquefeito; porque não sei outra maneira de descrever
isso. Parecia o próprio fôlego de Deus.
"Não existem palavras para descrever o maravilhoso
amor derramado no meu coração. Chorei de tanto gozo
e amor que senti; acho melhor dizer que exprimi, chorando em alta
voz, as inundações indizíveis do meu coração.
As ondas passaram sobre mim, uma após outra, até
eu clamar: 'Morrerei, se estas ondas continuarem a passar sobre
mim!.Senhor, não suporto mais!' Contudo, não receava
a morte.
"Não sei por quanto tempo este batismo continuou a
passar sobre mim e por todo o meu ser. Mas sei que era já
noite quando o dirigente do coro veio ao gabinete para me visitar.
Encontrou-me nesse estado de choro aos gritos e perguntou: - 'Sr.
Finney, que tem?' Por algum tempo não pude responder-lhe.
Então ele perguntou mais: - 'Está sentindo alguma
dor?' Com dificuldade respondi: - Não, mas sinto-me demasiado
feliz para viver.
"Saiu e, daí a pouco, voltou acompanhado por um dos
anciãos da igreja. Esse ancião sempre foi um homem
de espírito ponderado e quase nunca ria. Ele, ao entrar,
encontrou-me no mesmo estado, mais ou menos, como quando
o rapaz o foi chamar. Queria saber o que eu sentia e eu comecei
a lhe explicar. Mas, em vez de responder-me, foi tomado de um
riso espasmódico. Parecia impossível evitar o riso
que procedia do fundo do seu coração."
Nessa altura, entrou certo rapaz que começara a freqüentar
os cultos da igreja. Presenciou tudo por alguns momentos, até
cair ao chão em grande angústia de alma, clamando:
"Orem por mim!"
O ancião da igreja e o outro crente oraram e depois Finney
também orou e logo após todos se retiraram deixando
Finney sozinho.
Ao deitar-se para dormir, Finney adormeceu, mas logo se acordou,
por causa do amor que lhe transbordava do coração.
Isso aconteceu repetidas vezes durante a noite. Sobre isso ele
escreveu depois:
"Quando me acordei, de manhã, a luz do sol penetrava
no quarto. Faltam-me palavras para exprimir os meus sentimentos
ao ver a luz do sol. No mesmo instante, o batismo do dia anterior
voltou sobre mim. Ajoelhei-me ao lado da cama e chorei pelo gozo
que sentia. Passei muito tempo sem poder fazer coisa alguma senão
derramar a alma perante Deus".
Durante o dia, o povo se ocupava em falar na conversão
do advogado. Ao anoitecer, sem qualquer anúncio do culto,
ajuntou-se uma multidão no templo. Quando Finney relatou
o que Deus fizera na sua alma, muitos foram profundamente
comovidos; um, sentiu-se tão convicto que voltou a casa
sem o chapéu. Certo advogado afirmou: "É claro
que ele é sincero; mas que enlouqueceu, é evidente."
Finney falou e orou com grande liberdade. Realizavam-se cultos
todas as noites por algum tempo, aos quais assistiam pessoas
de todas as classes. Esse grande avivamento espalhou-se para muitos
lugares em redor.
Finney continuou:
"Por oito dias [depois da sua conversão) o meu coração
permanecia tão cheio, que não sentia desejo de comer
nem de dormir. Parecia-me que tinha um manjar para comer
que o mundo não conhecia. Não sentia necessidade
de alimentar-me nem de dormir... Por fim, cheguei a ver que devia
comer como de costume e dormir quanto fosse possível.
"Grande poder acompanhava a Palavra de Deus; todos os dias
admirava-me ao notar como poucas palavras, dirigidas a uma
pessoa, traspassavam-lhe o coração como uma seta.
"Não demorei muito em ir visitar meu pai. Ele não
era salvo; o único membro da família que fizera
profissão de religião era meu irmão mais
novo. Meu pai encontrou-me no portão e me perguntou: -
'Como tem passado, Carlos?' Respondi-lhe: - Bem, meu pai, tanto
no corpo como na alma. Meu pai, o senhor já é
idoso, todos os seus filhos estão crescidos e casados;
e nunca ouvi alguém orar na sua casa. Ele baixou a cabeça
e começou a chorar, dizendo: - 'É verdade,
Carlos; entre, e você mesmo ore'.
"Entramos e oramos. Meus pais ficaram comovidos e, não
muito depois, converteram-se. Se a minha mãe tinha qualquer
esperança antes, ninguém o sabia".
Assim, esse advogado, Carlos G. Finney, perdeu todo o gosto pela
sua profissão e se tornou um dos mais famosos pregadores
do Evangelho. Acerca de seu método de trabalhar, ele escreveu:
"Dei grande ênfase à oração como
indispensável, se realmente queríamos um avivamento.
Esforçava-me por ensinar a propiciação de
Jesus Cristo, sua divindade, sua missão divina, sua vida
perfeita, sua morte vicária, sua ressurreição,
a necessidade de arrependimento e de fé, a justificação
pela fé, e outras doutrinas que se tornaram vivas
pelo poder do Espírito Santo.
"Os meios empregados eram simplesmente pregação,
cultos de oração, muita oração em
secreto, intensivo evangelismo pessoal e cultos para a instrução
dos interessados.
"Eu tinha o costume de passar muito tempo orando; acho que,
às vezes, orava realmente sem cessar. Achei, também,
grande proveito em observar freqüentemente dias inteiros
de jejum em secreto. Em tais dias, para ficar inteiramente sozinho
com Deus, eu entrava na mata, ou me fechava dentro do templo..."
Vê-se no seguinte, a maneira como Finney e seu companheiro
de oração, o irmão Nash, "bombardeavam"
os céus com as suas intercessões:
"Quase um quilômetro distante da residência do
senhor S, morava certo adepto do universalismo. Nos seus
preconceitos religiosos, recusava-se a assistir aos cultos. Certa
vez o irmão Nash, que se hospedava comigo na casa do senhor
S, retirou-se para dentro da mata para lutar em oração,
sozinho, bem cedo de madrugada, conforme seu costume. A atmosfera
era tal nessa ocasião que se ouvia qualquer som de longe.
O universalista ao levantar-se, de madrugada, saiu de casa e ouviu
a voz de quem orava, e, apesar de não compreender muitas
das palavras, reconheceu quem orava. E isso traspassou-lhe
o coração como uma flecha. Sentiu a realidade da
religião como nunca. A flecha permanecia. E ele achou alívio
somente crendo em Cristo".
Acerca do espírito de oração, Finney afirmou
que "era coisa comum nesses avivamentos, os recém-convertidos
se acharem tomados pelo desejo de orar noites inteiras até
lhes faltarem as forças físicas. O Espírito
Santo constrangia grandemente o coração dos
crentes, e sentiam constantemente a responsabilidade pela
salvação das almas imortais. A solenidade da
mente se manifestava no cuidado com que falavam e se comportavam.
Era muito comum encontrar crentes juntos caídos de joelhos
em oração em vez de ocupados em palestras".
Em certo tempo, quando as nuvens de perseguição
enegreciam cada vez mais, Finney, como era seu costume sob tais
circunstâncias, sentia-se dirigido a dissipá-las,
orando. Em vez de falar pública ou particularmente
acerca das acusações, ele orava. Acerca da sua experiência
escreveu: "Eu olhava para Deus com grande anelo, dia após
dia, rogando que Ele me mostrasse o plano a seguir e a graça
para suportar a borrasca... O Senhor mostrou-me, em uma visão,
o que eu tinha de enfrentar. Ele chegou-se tão perto de
mim, enquanto eu orava, que a minha carne literalmente estremecia
sobre os ossos. Eu tremia da cabeça aos pés, sob
o pleno conhecimento da presença de Deus".
Acrescentamos mais um exemplo, tirado da sua autobiografia,
da maneira de o Espírito Santo operar na sua pregação:
"Ao chegar, na hora anunciada para iniciar o culto, achei
o prédio da escola repleto e tinha de ficar em pé
perto da entrada. Cantamos um hino, isto é, o povo pretendia
cantar. Entretanto, eles não tinham o costume de cantar
os hinos de Deus, e cada um desentoava à sua própria
maneira. Não podia conter-me e lancei-me de joelhos
e comecei a orar. O Senhor abriu as janelas dos céus,
derramou o espírito de oração e entreguei-me
de toda a alma a orar.
"Não escolhera um texto, mas logo ao levantar-me dos
joelhos, eu disse: Levantai-vos, saí deste lugar, porque
o Senhor há de destruir a cidade . Acrescentei que havia
dois homens, um se chamava Abraão, e outro, Ló...
Contei-lhes como Ló se mudara para Sodoma... O lugar era
excessivamente corrupto... Deus resolveu destruir a cidade
e Abraão orou por Sodoma. Mas os anjos acharam somente
um justo lá, era Ló. Os anjos disseram: 'Tens alguém
mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos
tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; porque nós
vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem engrossado
diante da face do Senhor, e o Senhor nos enviou a destruí-lo'.
"Ao relatar estas coisas, os ouvintes se mostraram irados
a ponto de me açoitarem. Nessa altura, deixei de pregar
e lhes expliquei que compreendera que nunca se realizara
culto ali e que eu tinha o direito de, assim, considerá-los
corruptos. Salientei isso com mais e mais ênfase e, com
o coração cheio de amor até não poder
mais conter-me.
"Depois de eu assim falar cerca de quinze minutos, parecia
cair sobre os ouvintes uma tremenda solenidade e começaram
a cair ao chão, clamando e pedindo misericórdia.
Se eu tivesse tido uma espada em cada mão, não os
poderia derrubar tão depressa como caíram.
De fato, dois minutos depois de os ouvintes sentirem o choque
do Espírito vir sobre eles, quase todos estavam ou caídos
de joelhos ou prostrados no chão. Todos os que podiam falar
de qualquer maneira, oravam por si mesmos.
"Tive de deixar de pregar, porque os ouvintes não
prestavam mais atenção. Vi o ancião
que me convidara para pregar, sentado no meio do salão,
olhando em redor, estupefato. Gritei bem alto para ele ouvir,
apesar da balbúrdia, pedindo-lhe que orasse. Caiu de joelhos
e começou a orar em voz retumbante; mas o povo não
prestou atenção. Gritei: Vós não estais
ainda no Inferno; quero dirigir-vos a Cristo. O coração
transbordava de gozo ao presenciar tal cena. Quando pude dominar
os meus sentimentos, virei-me para um rapaz que estava perto de
mim, consegui atrair a sua atenção e preguei Cristo,
em voz bem alta, ao seu ouvido. Logo, ao olhar para a 'cruz' de
Cristo, ele acalmou-se por um pouco e então rompeu
em oração pelos outros. Depois fiz o mesmo
com um outro; depois com mais outro e continuei assim tratando
com eles até a hora do culto da noite, na aldeia. Deixei
o ancião que me convidara a pregar, para continuar a obra
com os que oravam.
"Ao voltar, havia tantos clamando a Deus que não podemos
encerrar a reunião, que continuou o resto da noite. Ao
amanhecer o dia, alguns ainda permaneciam com a alma ferida. Não
se podiam levantar e, para dar lugar às aulas, foi necessário
levá-los a uma residência não muito distante.
De tarde mandaram chamar-me porque ainda não findara o
culto.
"Só nesta ocasião cheguei a saber a razão
de o auditório agastar-se da mensagem. Aquele lugar cognominava-se
'Sodoma' e havia somente um homem piedoso lá a quem o povo
tratava de 'Ló'. Era o ancião que me convidara a
pregar."Depois de já velho, Finney escreveu acerca
do que o Senhor fez em "Sodoma". "Embora esse
avivamento caísse tão repentinamente sobre eles
era tão empolgante que as conversões eram profundas
e a obra permanente e genuína. Nunca ouvi falar em qualquer
repercussão desfavorável."
Não foi só na América do Norte que Finney
viu o Espírito Santo cair e abater os ouvintes em
terra. Na Inglaterra, durante os nove meses de evangelização,
que Finney promoveu lá, multidões também
se prostraram enquanto ele pregava - em certa ocasião mais
de dois mil, de uma vez.
Alguns pregadores confiam na instrução e ignoram
a obra do Espírito Santo. Outros, com razão, rejeitam
tal ministério infrutífero e sem graça; oram
a Deus para o Espírito Santo tomar conta e alegram-se no
grande progresso da obra de Deus. Mas, ainda outros, como
Finney, dedicam-se a buscar o poder do Espírito Santo,
sem desprezar a arma de instrução, e vêem
resultados incrivelmente mais vastos.
Durante os anos de 1851 a 1866, Finney foi diretor do Colégio
de Oberlin e ensinou a um total de 20 mil estudantes. Dava
mais ênfase ao coração puro e ao batismo com
o Espírito Santo do que à preparação
do intelecto; de Oberlin saiu uma corrente contínua
de alunos cheios do Espírito Santo. Assim, depois
dos anos de uma campanha intensiva de evangelismo e no meio
dos seus esforços no colégio, "em 1857, Finney
via cerca de 50 mil, todas as semanas, converterem-se a Deus."
(By My Spirit, Jônathan Goforth, p. 183.) Os diários
de New York, às vezes quase não publicavam outras
notícias, senão do avivamento.
Suas lições aos crentes sobre avivamento foram publicadas,
primeiro em um jornal e depois em um livro de 445 páginas
e que se intitulava "Discursos Sobre Avivamentos".
As primeiras duas edições, de 12 mil exemplares,
foram vendidas logo ao saírem do prelo. Outras edições
foram impressas em vários idiomas. Uma só editora
em Londres publicou 80 mil. Entre suas outras obras de circulação
mundial, contam-se as seguintes: sua "Autobiografia",
"Discursos aos Crentes" e "Teologia Sistemática".
Os convertidos nos cultos de Finney eram pela graça constrangidos
a andar de casa em casa para ganhar almas. Ele mesmo se esforçava
para preparar o maior número de obreiros em Oberlin College.
Mas o desejo que ardia sempre em tudo era o de transmitir
a todos o espírito de oração. Pregadores
como Abel Câry e Father Nash viajavam com ele e, enquanto
ele pregava, eles continuavam prostrados em oração.
Vejamos isso nas palavras de Finney:
"Se eu não tivesse o espírito de oração,
não alcançaria coisa alguma. Se por um dia, ou por
uma hora eu perdesse o espírito de graça e de súplica,
não poderia pregar com poder e fruto, e nem ganhar
almas pessoalmente."
Para que alguém não julgue que a obra era superficial,
citamos outro escritor: "Descobriu-se, por pesquisa empolgante,
que mais de 85 pessoas de cada 100 que se convertiam sob
a pregação de Finney, permaneciam fiéis a
Deus; enquanto 75 pessoas de cada cem, das que professaram conversão
nos cultos de algum dos maiores pregadores, se desviavam. Parece
que Finney tinha o poder de impressionar a consciência
dos homens, sobre a necessidade de um viver santo, de tal maneira
que produzia fruto mais permanente." (Deeper Experiences
of Famous Christians, p. 243.)
Finney continuou a inspirar os estudantes de Oberlin College até
a idade de 82 anos. Já no fim da vida, permanecia
tão lúcido de mente como quando jovem e sua vida
nunca foi tão rica no fruto do Espírito e na beleza
da sua santidade do que nesses últimos anos. No domingo,
16 de agosto de 1875, pregou seu último sermão.
Mas de noite não assistiu ao culto. Ao ouvir os crentes
cantarem "Jesus lover of my soul, let me to Thy bosom fly",
saiu até o portão na frente da casa, e com
estes que tanto amava, foi a última vez que cantou na terra.
Acordou-se à meia-noite, sofrendo dores lancinantes no
coração. Sofrera assim muitas vezes durante
a sua vida. Semeara as sementes de avivamento e as regara
com lágrimas. Todas as vezes que recebeu o fogo da
mão de Deus, foi com sofrimento. Finalmente, antes
de amanhecer o dia, dormiu na terra para acordar na Glória,
nos céus. Faltavam-lhe apenas treze dias para completar
83 anos de vida aqui na terra. |