|
William Booth, nascido no ano de 1829, em Londres,
Inglaterra, foi o fundador do Exército da Salvação.
Após uma infância e juventude pobres, Booth e sua
esposa, Catherine Mumford, se sentiram tocados pelo sofrimento
daquela população e decidiram dedicar suas vidas
em ajudá-los.
A pobreza e marginalidade haviam crescido muito
na Inglaterra, neste período, como conseqüência
da Revolução Industrial, deixando milhares de pessoas
sem emprego e perspectiva de vida. De forma que Booth e sua esposa
criaram primeiramente a Missão Cristã, em 1864,
com a finalidade de ajudar órfãos, prostitutas,
moradores de rua, alcoólatras e todo tipo de desabrigado
e necessitado do carinho e amor de Deus. Ao auxiliá-los,
Booth evangelizava as pessoas conduzindo-as ao verdadeiro amor
que há em Cristo Jesus.
Alguns anos depois, em 1878, com este trabalho
mais consolidado, o casal deu mais um passo de fé e fundou
o Exército da Salvação. Este por sua vez
era baseado em uma estrutura de comando paramilitar. Essa idéia
surgiu devido à guerra que ocorria entre o império
britânico e a Rússia. Quando os missionários
da igreja utilizavam em seus discursos evangelísticos temas
e linguagem militares, com base na idéia de que o exército
de Deus está sempre em guerra contra as potestades do mal.
Booth se intitulou general deste exército do Senhor e se
dedicou, incansavelmente, ao desenvolvimento de sua organização,
que, a partir de 1880, propagou-se por todo o mundo. Surgiram,
então, naquela mesma época, as bandas de música
e o caldeirão para colocar ofertas, coisas que ficaram
marcadas na história dessa denominação e,
até hoje, fazem parte da sua liturgia.
O Exército de Salvação possui
uma estrutura eclesiástica distinta das demais, tendo como
base as patentes militares e, atualmente, pode ser encontrado
em 103 países. Seus 25.400 oficiais são auxiliados
por mais de um milhão de soldados. A entidade administra
escolas, hospitais, clínicas, albergues, lares para crianças
e idosos, creches e centros comunitários.
Se estivessem vivos para ver o crescimento espantoso da organização,
Booth e a esposa ficariam extasiados. O Exército da Salvação
dos dias atuais é fruto do empenho dos salvacionistas do
século 19, os quais sofreram muito para manter o trabalho.
Muitos foram derrubados ao chão, pisoteados ou brutalmente
agredidos; alguns que, como Booth, pregavam a Palavra e as boas
obras foram presos. No entanto, William Booth e os demais salvacionistas
perseveraram, pregando nas ruas, em portas de bares, tendas de
lona, cinemas e teatros. O grupo que marchava pelas ruas de Londres
logo começou a ser conhecido como os Soldados de Jesus
e fundamentava seu discurso na luta contra o pecado e a degradação
humana.
Alguns anos depois, o fundador do Exército
da Salvação, comentou : “Em dez anos, a entidade
cresceu e alcançou toda a Inglaterra: Deus recebeu tudo
o que havia em mim. Há homens com inteligência maior
que a minha, homens com mais oportunidades do que eu, mas, a partir
do dia em que coloquei os pobres de Londres em meu coração
e tive uma visão daquilo que Jesus Cristo poderia fazer
pelos pobres de Londres, decidi que Deus teria tudo o que havia
de William Booth”.
Um dos segredos do sucesso de seu ministério
era o fato de que a entidade estava sempre presente quando necessária.
Para tanto, o patriarca envolveu a família na batalha contra
o sofrimento. Sua mulher, Catherine, contribuiu para a obra com
sermões e numerosos escritos. O filho, William Bramwell,
sucedeu o pai como general. A filha, Evangeline, foi fervorosa
apóstola da organização e, com apenas 18
anos, já realizava a sua obra no East End, bairro muito
pobre de Londres. Realmente, Evangeline teve de vestir uma farda
militar quando organizou postos de acolhida no front francês
durante a Primeira Guerra Mundial. Depois de passar por todos
os graus do Exército da Salvação, Evangeline
chegou ao generalato em 1934. Obra possível apenas pelo
poder de Deus, pois tal feito era extremamente difícil
para uma mulher em uma época em que sequer lhe era concedido
o direito de votar.
No Brasil, o Exército da Salvação
começou a operar em 1922, por intermédio dos coronéis
David e Stella Miche, que se instalaram no Rio de Janeiro em um
período em que já não havia mais perseguição
aos cristãos; pelo contrário, a entidade foi aceita,
reconhecida e apoiada pelas autoridades brasileiras.
A obra foi implantada na cidade do Rio de Janeiro
e, posteriormente, em Niterói (RJ), ainda em 1922. Em 1924,
o Exército da Salvação ampliou sua presença
para São Paulo e, a partir dessa sede, criou bases em Santa
Catarina, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Só
em 1968, foi iniciada a obra da organização em Brasília.
Na década de 80, o Exército, finalmente, cercou
o país de Norte a Sul, fincando sua bandeira no Nordeste,
particularmente, nos estados de Pernambuco e Paraíba.
O coronel William John Jones, que preside a denominação
no país, afirma que a Igreja dá ênfase às
boas obras, pois elas são demonstrações do
amor de Deus: "Não temos a menor dúvida de
que foi o sacrifício de Jesus na cruz que nos deu a salvação.
Portanto, Cristo não ficou só nas palavras e nos
ensinamentos; Ele pagou o preço por amor a nós.
Cremos que devemos seguir Seu exemplo e não ficar, simplesmente,
no discurso. Há muitas pessoas que precisam de ação,
do nosso esforço e empenho", explica ele.
Dimitri Juliano
|